Nextel parte para o ataque contra a TIMA Nextel, que sempre teve um atuação low profile na mídia, decidiu partir para o ataque durante o mês de dezembro. A operadora vai desembolsar 3,5 milhões de reais em ações de marketing e publicidade, mais que o dobro do habitual.
A medida é uma reação ao novo plano de serviços lançado de pela TIM há cerca de dois meses. Batizado de Liberty, o plano prevê que os clientes da operadora italiana possam falar de graça entre si, pagando um valor fixo por mês -- estratégia idêntica à oferecida pela Nextel com o serviço de rádio.
Nesse contra-ataque, a Nextel lançou uma nova campanha com a escritora e roteirista Fernanda Young. No anúncio, elaborado pela agência Loducca e em circulação em jornais e revistas, Fernanda disponibiliza um celular para falar com os leitores (em tese, ela topa conversar sobre qualquer assunto, durante uma hora por dia. Vou fazer o teste e conto para vocês em seguida).
No próximo final de semana, será veiculado um anúncio específico para os jornais, reforçando a ideia de falar de forma ilimitada. (Assim que eu descolar o anúncio, coloco-o em primeira mão aqui no 4Ps.)
"O conceito de falar sem limites foi criado pela Nextel", me disse ontem um alto executivo da empresa. "Não vamos deixar que a TIM se aproprie dele".
A reação da Nextel é mais do que simples paranóia com a marca. Recentemente, o presidente da TIM, Luca Luciani, afirmou publicamente que o Liberty havia sido inspirado na Nextel -- passando por cima de uma das regras de ouro do marketing: nunca, jamais, em hipótese alguma, admita que você está copiando descaradamente o concorrente.
Além de não pegar bem para a marca, trata-se de uma situação em que o executivo -- e, em última análise, a própria empresa -- só tem a perder. Se dá tudo errado, a incompetência é de quem não soube implementá-la. Se dá tudo certo, o mérito é de quem a criou.
Não é preciso ser um gênio para imaginar que a declaração virou motivo de piada entre executivos do setor -- e entre os da Nextel em específico. A empresa chegou a encomendar da Loducca um anúncio especial com os dizeres "TIM, bem-vinda ao clube", em referência ao mote das campanhas da Nextel.
A peça, infelizmente, acabou vetada pelo presidente da empresa, Sérgio Chaia. Budista convicto, ele achou a provocação desnecessária, para desepero do pessoal de marketing da Nextel.
De qualquer forma, a briga deve esquentar daqui para o início do ano.
Procurados, nem a Loducca e nem a Nextel quiseram se manifestar sobre o assunto.
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