Direitos sobre a marca Siemens põem uma sombra na venda da BenQ em Manaus
Não é totalmente certo que potenciais compradores da fábrica levarão junto o direito ao valioso ativo
05.07.2007 - 11:37
Redação
O anúncio da venda da fábrica de celulares da BenQ em Manaus está longe de representar um ponto final na curta e desastrosa passagem da companhia pelo Brasil. Há mais dúvidas do que certezas na negociação entre o grupo de Taiwan e os empresários Enzo Monzani e Conrado Will, donos da grife Zoomp e candidatos à compra da indústria.
O principal impasse diz respeito ao uso da marca Siemens, o mais valioso – para não dizer o único – ativo da empresa asiática. Ao comprar o controle da divisão de celulares da companhia alemã, em 2005, a BenQ assegurou a utilização da marca por cinco anos. A empresa garantiu a Monzani e Will que o direito do usufruto do nome Siemens no Brasil será naturalmente transferido com a compra da fábrica.
Há controvérsias. Informações filtradas junto à Siemens revelam que o grupo alemão acompanha de perto a movimentação da BenQ e tem instrumentos legais para impedir a quarteirização da sua marca, tanto no Brasil quanto em outros paÃses nos quais a empresa de Taiwan esteja passando adiante seus ativos.
Desprovida do logotipo da Siemens em seus celulares, a operação da BenQ no Brasil se torna um pastel de vento. Monzani e Will terão uma fábrica de aparelhos genéricos e serão forçados a pedalar o lançamento e divulgação de uma nova marca.
A questão em torno dos direitos sucessórios sobre a marca Siemens pode ter desdobramentos ainda mais graves. Se, de fato, os compradores da fábrica da BenQ não produzirem celulares licenciados pela companhia alemã, quem assumirá a responsabilidade da assistência técnica sobre os aparelhos já comercializados no paÃs? Os consumidores terão de bater na porta da Siemens, em Munique, da BenQ, em Taiwan, ou em uma loja da Zoomp?
Outra pendenga nas negociações é a herança dos passivos do grupo asiático no Brasil. O pacote inclui dÃvidas com bancos e processos trabalhistas – no fim do ano passado, a empresa promoveu mais de 450 demissões.
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